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O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy (Edições ASA II)

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    Tudo neste livro é belo, desde a capa, à escrita, à história triste que nos traz. Antes de qualquer outra coisa, fui cativada pela escrita, tão diferente mas tão bonita, tão viva e rica nos seus detalhes, descrições e comparações. Depois, abandonei-me às personagens, cuja história fui tentando reconstruir à medida que o novelo de memórias era desfiado, misturando presente com passado, com histórias paralelas.     Não concordo com a sinopse da contracapa. Não entendo este romance como « a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no Sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. » Para mim, é a história dos « gémeos biovulares », Rahel e Estha, que voltam com a mãe, Ammu, para a sua terra natal, sim, após o divórcio desta, situação que os torna indesejados na casa da família. E é, acima de tudo, a história de como num quente verão em que a sua prima, Sophie Mol, vinda de Inglaterra, morre, e dos acontecimento...

rapariga mulher outra, Bernardine Evaristo (Elsinore)

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            Rapariga mulher outra recebeu o Booker Prize 2019 juntamente com Os Testamentos de Margaret Atwood. Mais do que o prémio, acho que foi o título que me atraiu. As palavras em minúsculas, sem vírgulas ou outro sinal de pontuação a separá-las, aumentando de tamanho de rapariga para mulher e depois para outra, indiciando uma transição e, simultaneamente, um crescimento e uma abertura.     Apesar de contar a história de 12 mulheres, na verdade fala-nos de muitas mulheres, negras, de diferentes gerações, que têm em comum viverem em Inglaterra e terem todas a sua origem nas antigas colónias britânicas. É na realidade uma constelação de mulheres, algumas de gerações distintas, que se conhecem, amam, protegem, descendem ou se cruzam algures na vida.     Convenço-me que os escritores(as) escrevem como eu os leio.   Li rapidamente rapariga mulher outra, e, parece-me, que também foi escrito assim. Num fô...

A baía dos anjos, Anita Brookner (casa das letras)

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  Há livros certos para alguns momentos da nossa vida ou há momentos certos para lermos alguns livros. Foi o que aconteceu com este livro, a baía dos anjos. Comprado há já alguns anos, seguramente atraída pelo título e pela leitura da contracapa, arrastava-se penosamente entre a minha mesinha de cabeceira e a estante da sala, mas persistindo sempre em chamar-me a atenção. Mais de uma vez iniciei a leitura que abandonei. Não sei explicar porquê. Desta vez, passou-se o contrário. Comecei a lê-lo e custava-me interromper a leitura que retomava sempre que podia.     É uma reflexão profunda e íntima sobre as relações familiares e afetivas, o envelhecimento e a morte ( Que coragem deve ser precisa para envelhecer!) . Centrado essencialmente na relação mãe/filha(o), na dependência que existe entre ambas(os) mas também na necessidade de criar distâncias e definir um percurso de vida autónomo : - Sim, aquele amor era uma espécie de liberdade. Tem-na com a sua mãe. Mas,...