quarta-feira, 21 de março de 2018

As lamas do Mississipi, Hillary Jordan (Saída de Emergência)

  
    Acabei ontem de ler este livro que foi uma excelente descoberta. A história decorre no Mississipi, no final da segunda guerra mundial, e é narrada, à vez, pelas diferentes personagens.
    Percebemos desde o início que uma catástrofe, um drama, se irá abater sobre todos eles, mas só conhecemos os seus contornos exatos no final do livro.
    Henry, a mulher, Laura, e as duas filhas vão viver para uma quinta no Mississipi, cumprindo o sonho dele. Com eles, vai também o pai de Henry, um velho belicoso, racista e mesquinho e, pouco tempo depois, junta-se-lhes Jamie, o irmão mais novo de Henry.
   Jamie foi aviador na segunda guerra mundial, e é um sedutor, em tudo diferente do irmão e do pai. Laura descreve-o dizendo que ele gostava de ter as pessoas do seu lado.
    Laura tem grande dificuldade em se adaptar à vida na quinta e, sobretudo, à casa em que ficam instalados que nem sequer tem uma casa de banho. 
    E é nesta quinta cheia de lama, isolada, que conhece Florence, uma negra, cujo marido é rendeiro deles, que é parteira, mas que aceita trabalhar para eles, assegurando a limpeza da casa. Florence é uma mulher religiosa, supersticiosa e profundamente intuitiva. Para além dos filhos mais novos que vivem com eles, tem um filho, Ronsel, que esteve também na segunda guerra mundial e que regressou algum tempo depois da guerra acabar,  para ver que afinal nada mudou no seu país. 
    Jamie e Ronsel têm em comum a guerra, a idade e a dificuldade de se adaptarem às regras que regem a vida daquela comunidade. 
    Sentimos no princípio do livro que iremos testemunhar uma tragédia, um drama que envolverá aquelas pessoas mas cujo início ou causa é difícil de identificar. Como nos diz Laura, praticamente no início do livro: o meu sogro foi assassinado por eu ter nascido uma rapariga comum em vez de bonita. E é um começo possível.
    Talvez seja esta a parte mais frágil do livro, a expetativa que acompanha a leitura de que alguma coisa irá acontecer impedindo-nos de apreciar plenamente a história (e a escrita).

     Depois de o ler, descobri que foi adaptado recentemente ao cinema, com o título: Mudbound - As lamas do Mississipi.
     Vi entretanto o filme e, apesar de ser uma adaptação fiel ao livro, é um desastre, presumo que quase imperceptível para quem não leu o livro. Por outro lado, a história que também na versão escrita é óbvia, no filme funciona como um lugar comum. Se o livro me levou a procurar o filme, o contrário nunca aconteceria.

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