Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Leila Slimani

O perfume das flores à noite, Leila Slimani (Alfaguara)

Imagem
    Há qualquer coisa nesta capa que me atraiu imediatamente. Uma imagem difusa, escura, na qual se destacam as pernas em andamento de uma mulher, escondidas a partir dos joelhos por um tecido branco. Uma mulher caminha descalça na noite. Percebemos depois que representa a noite que a autora passou no Museu Punta della Dogana, em Veneza.    O convite foi feito pela editora, Alina Gundiel, no âmbito de um projeto que deu origem à coleção “A minha noite no museu”. Há já vários volumes publicados nesta coleção, envolvendo sobretudo escritores e museus de França, mas também de outros países, como Líbano, Itália, Espanha ou Grécia. Nenhum autor ou museu português, o que lamento. Imaginei logo uma noite no Museu do Chiado ou no Museu Nacional de Arte Antiga.     A ideia é que o escritor explore o sentimento de solidão provocado pela noite de isolamento e escreva um livro nela inspirado. Leila Slimani quer recusar o convite ou qualquer outro convite que lhe seja f...

Canção doce, Leila Slimani (Alfaguara)

Imagem
        Canção doce é um livro muito perturbador e de uma enorme violência. Logo na contracapa lemos o resumo e ficamos a saber a história. Myriam, mãe de duas crianças pequenas chega a casa mais cedo para surpreender os filhos que estão com uma ama. E o livro começa assim:     O bebé morreu. Bastaram alguns segundos. O médico garantiu que ele não sofreu. Deitaram-no dentro de um saco cinzento e fizeram deslizar o fecho de correr sobre o corpo desarticulado que boiava no meio dos brinquedos. Quanto à menina, ainda estava viva quando chegaram os serviços de emergência.    Não é um livro de suspense no sentido clássico, pois sabemos logo no início o drama que se vai abater sobre aquela família e de quem é a responsabilidade. E se o livro começa justamente pelo fim, percebemos que o importante é  o caminho que é feito até àquele momento. Os passos dados, os sinais ignorados que conduziram àquele desfecho. Mas o t...