Ventos do Apocalipse, Paulina Chiziane (Caminho)
Li Ventos do Apocalipse numa edição recente que ostenta na capa a indicação que a Autora foi Prémio Camões 2021, mas a 1.ª edição é de 1993, um ano depois do fim da guerra civil de Moçambique, e é fruto dessa vivência terrível. Transmite bem o horror que representa a guerra, sobretudo a civil, na vida das pessoas. Ventos do Apocalipse começa com um prólogo seguindo-se três pequenas histórias. Terríveis todas. «O marido cruel», «Mata que amanhã faremos outro» e «A ambição de Massupai». Histórias de fome, medo, morte, crueldade e ambição. Mas isto são histórias contadas à volta da fogueira, por um avô, a quem pedem histórias bonitas. Porque « O povo não tem biblioteca e nem escreve. A sua história, os seus segredos residem na massa cinzenta dos antigos, cada cabeça é um capítulo, um livro, uma enciclopédia, uma biblioteca.» KARINGANA WA KARINGANA (expressão que não consta do glossário e que significa Era uma vez) é então que começa a história, ...