Hotel Timor, Luís Cardoso (The Poets and Dragons society)
Gostei muito de regressar a Timor através do último livro de Luís Cardoso, Hotel Timor. Confesso que este é o livro dele de que mais gostei, embora admita que seja porque os outros já estejam menos presentes na minha memória: Para onde vão os gatos quando morrem? O ano em que Pigafetta completou a circum-navegação e O Plantador de Abóboras (Sonata para uma neblina) . Hotel Timor tem uma escrita circular, repetitiva, com uma toada melancólica e poética. O narrador, aquele que sonhou as histórias que o escritor que vai a Timor para ser condecorado pelo Presidente da República escreveu, chega também ao seu país “com atraso de uma hora ao hotel e de vinte e um anos ao novo país.” Nesta viagem leva o propósito de se livrar dos fantasmas que lhe povoam os sonhos depois de fugir de Timor, deixando o pai preso e o irmão Bonifácio enterrado numa vala comum. Quer procurar os restos mortais do seu irmão para o resgatar do esquecimento e ...