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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho, por Alexandre Gusmão (22/05/2018)
#4 Leio, logo… exploro, por Lucinda Afreixo (05/06/2018)
#5 Leio, logo... preservo, por Manuela Pires (19/06/2018)
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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Historia de quem vai e de quem fica, Elena Ferrante (Relogio d' Água)

 
     Já iniciei a leitura do quarto volume, mais uma vez logo depois de acabar o livro anterior. Como se do mesmo volume se tratasse. Acabo um e começo imediatamente a leitura do seguinte, embora me sinta envolvida numa relação ambígua: não consigo parar de ler, mas não sinto que seja uma obra que perdurará ou que justifique a paixão e a projeção que tem tido.
    Neste terceiro volume vamos encontrar as duas protagonistas, Lila e Elena, já adultas, com filhos, e ambas trilhando percursos distintos entre si, mas sobretudo distantes da vida que tinham conhecido no bairro onde nasceram e cresceram. Apesar de uma ter partido e outra ter ficado, a vida das duas é, em termos políticos, sociais, económicos e familiares distinta da maior parte das pessoas com que cresceram. 
    Elena vai para a universidade, publica um livro e casa com um jovem professor universitário oriundo de uma família ligada ao meio académico. Lina separa-se do marido e vai viver com Enzo, um amigo. Durante o dia trabalha em condições miseráveis numa fábrica de enchidos e à noite, juntos, estudam computadores, através da leitura de fascículos e de exercícios que ela vai inventando. 
        Neste livro avoluma-se a estranheza da relação das duas, sempre apresentadas como amigas, reconhecendo-se como tal, embora vivam numa permanente competição e receio recíproco (....aquele incidente convenceu-me de que era melhor não levar Pietro a visitar Lila: conhecia-a bem, ela era má, ia achá-lo ridículo e fazer troça dele....
....a nossa relação já não tinha intimidade. Reduzira-se a notícias condensadas, detalhes escassos, piadas maldosas, palavras em liberdade, nenhuma revelação de facto e pensamentos só para mim.)
    Elena, a narradora, que estudou e que saiu de Nápoles, quando um dia regressa sente-se angustiada porque, apesar de tudo o que fez, sente que tem menos história que a amiga (Quantas coisas perdera ao ir-me embora, julgando que estava destinada a uma vida sei lá como.)
   Este livro decorre nos anos 70, tendo como pano de fundo as lutas estudantis, a emancipação da mulher, o aparecimento da pílula, o debate político e ideológico em Itália, mas também no mundo, o que permitiu que Elena e Lila se envolvessem e descolassem do destino das gerações precedentes. Como se se tratasse de um fresco da vida italiana desses anos, de que elas são protagonistas e testemunhas privilegiadas. A amizade entre elas é apenas um pretexto, uma justificação para que Elena escreva sobre ambas.
   

2 comentários:

  1. É mesmo assim, "não consigo parar de ler". Não obstante, estou de acordo, é uma obra chamativa, mas não sou capaz de dizer se
    o conteúdo merece todo esse entusiasmo que recebeu. Li, faz algum tempo e agradou-me, não minto. Só não sei, ainda, se voltarei à sua releitura, tempos mais tarde, como é meu hábito. Não tenho a certeza se me apaixonei pela Elena, que é condição primeira para "voltar ao livro". De duas coisas tenho a certeza, apaixonei-me pela autora e fiquei com a certeza absoluta de ser uma mulher, é que nenhum homem seria capaz de descrever a interioridade de uma mulher, se não fosse mulher, por muito feminino que o homem fosse. Mas, pensando melhor... talvez volte à obra lá mais para diante.

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  2. Tenho lido algumas recensões e curiosamente - ou coincidentemente - encontro mais fãs de Lila que de Elena, como se fosse necessário escolher uma ou outra. Alguns leitores chegam a criticar Elena que consideram demasiado carente, crítica, mesquinha.
    A própria autora também terá considerado Lila a personagem principal, daí que nos quatro volumes comece por identificar a família dela, antes da da Elena.
    Se tivesse que escolher, escolhia a Elena. Estamos literalmente na cabeça dela, a descobrir o mundo mas sempre a querer agradar a todos. Um pouco como todos nós....
    Mas sei seguramente que não direi quando acabar este último volume que não sei como irei viver sem Elena e Lila, como sinto muitas vezes quando viro a última folha de um livro.

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