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Escombros, Elena Ferrante (Relógio D' Água)

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       Antes de escrever sobre este livro, Escombros (gosto do título, da sua sonoridade), tenho que confessar que me irritou imenso o fenómeno Elena Ferrante. De repente toda a gente falava nela, sobretudo após a edição da tetralogia d' A Amiga Genial, e eu justificava o meu desinteresse na sua leitura recorrendo a uma citação do Somerset Maugham:     "Sei por experiência própria que quando um livro causa sensação convém esperar um ano antes de tomar conhecimento dele. É surpreendente a quantidade de livros que, ao cabo, nos dispensamos de ler."     Irritava-me particularmente a discussão sobre a identidade da autora (será de facto uma autora?) e considerava a decisão dela  de não aparecer, nem se identificar, para além da indicação do nome, como uma forma de promoção, que,  paradoxalmente com o que é a prática atual, funcionava.     Revi a minha posição quer quanto aos livros dela que já li, A Amiga...

História da menina perdida, Elena Ferrante (Relógio D'Água)

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       Acabei hoje de ler o quarto volume da tetralogia A Amiga Genial e antes de partir para umas curtas férias de 4 dias e a lembrança da leitura se desvanecer entre passeios e conversas amigas, decidi, ainda que à pressa, escrever umas notas.     O facto de num dia de férias ter-me levantado mais cedo só para conseguir acabar de ler este livro confirma que se trata de uma leitura apaixonante, mas, não consigo deixar de achar, ao mesmo tempo um pouco decepcionante. Neste volume Elena e Lila são já mulheres maduras e o facto de Elena ter voltado a viver em Nápoles primeiro, e depois no mesmo prédio da amiga, reaproxima-as, contudo numa relação incompreensível para mim, feita de cumplicidade, mas também de ciúmes, invejas e rancores: « (...) ela quer que eu dê aquilo que a sua natureza e as circunstâncias a impediram de dar, e eu que não consigo dar aquilo que ela pretende; ela que se irrita com a minha insuficiência, e por represália me quer re...

Historia de quem vai e de quem fica, Elena Ferrante (Relogio d' Água)

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     Já iniciei a leitura do quarto volume, mais uma vez logo depois de acabar o livro anterior. Como se do mesmo volume se tratasse. Acabo um e começo imediatamente a leitura do seguinte, embora me sinta envolvida numa relação ambígua: não consigo parar de ler, mas não sinto que seja uma obra que perdurará ou que justifique a paixão e a projeção que tem tido.     Neste terceiro volume vamos encontrar as duas protagonistas, Lila e Elena, já adultas, com filhos, e ambas trilhando percursos distintos entre si, mas sobretudo distantes da vida que tinham conhecido no bairro onde nasceram e cresceram. Apesar de uma ter partido e outra ter ficado, a vida das duas é, em termos políticos, sociais, económicos e familiares distinta da maior parte das pessoas com que cresceram.      Elena vai para a universidade, publica um livro e casa com um jovem professor universitário oriundo de uma família ligada ao meio académico. Lina separa-...

História do Novo Nome, Elena Ferrante (Relógio D' Água)

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    Mal acabei de ler o primeiro volume da tetralogia, A Amiga Genial peguei no segundo volume, História do Novo Nome , que tem um subtítulo ou um capítulo único: Juventude . É a continuação do primeiro livro, daí que me tenha surpreendido que, tal como no anterior, este livro se inicie com um índice das personagens e com a síntese dos acontecimentos do primeiro volume. Ao contrário de outras obras publicadas em vários volumes, esta não possui autonomia, ou seja, seria impossível ler o segundo livro e compreendê-lo sem ler o primeiro.     A mestria da autora revela-se logo no início, depois de relatar um episódio que se passa um pouco mais tarde, regressamos ao casamento de Lila e à questão que tinha ficado em suspenso quando concluímos a leitura do primeiro livro e que é determinante para perceber as relações que se estendem desde então entre as várias personagens.     Mantém-se a  amizade entre Elena - Lenú - e Lila,  m...

A Amiga Genial, Elena Ferrante (Relógio d' Água)

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       Resisti algum tempo ao fenómeno Elena Ferrante, alimentado pela tetralogia que começa com este livro, A Amiga Genial , e adensado pelo mistério sobre a sua identidade. Quanto à questão da identidade, seja qual for a razão que a justifica, é uma decisão que admiro e respeito, contudo, ao longo da leitura deste livro dei por mim a pensar que este livro tinha sido escrito por uma mulher. Dificilmente imagino um homem a falar por uma adolescente, a compreender tão perfeitamente o que se passa na cabeça de uma jovem, ao longo da sua adolescência. Imaginei também que quem o escreveu, tinha ao lado um diário, ou mesmo uma resma de diários, daqueles que têm um pequeno cadeado, escritos ao longo de anos e que ia consultando enquanto escrevia. É quase impossível pensar que não se trata de um relato autobiográfico, de tão detalhado que é, ideia que é reforçada pelo facto de a personagem principal, a narradora, ostentar o mesmo nome próprio da autora, Elena.  ...