segunda-feira, 14 de maio de 2018

História do Novo Nome, Elena Ferrante (Relógio D' Água)

    Mal acabei de ler o primeiro volume da tetralogia A Amiga Genial peguei no segundo volume, História do Novo Nome, que tem um subtítulo ou um capítulo único: Juventude. É a continuação do primeiro livro, daí que me tenha surpreendido que, tal como no anterior, este livro se inicie com um índice das personagens e com a síntese dos acontecimentos do primeiro volume. Ao contrário de outras obras publicadas em vários volumes, esta não possui autonomia, ou seja, seria impossível ler o segundo livro e compreendê-lo sem ler o primeiro.
    A mestria da autora revela-se logo no início, depois de relatar um episódio que se passa um pouco mais tarde, regressamos ao casamento de Lila e à questão que tinha ficado em suspenso quando concluímos a leitura do primeiro livro e que é determinante para perceber as relações que se estendem desde então entre as várias personagens. 
   Mantém-se a  amizade entre Elena -Lenú - e Lila,  mesclada por outros sentimentos, sobretudo ressentimento e inveja, enquanto a vida de ambas  diverge cada vez mais. Mas é como se fossem duas faces da mesma moeda, duas possibilidades de vida em que cada uma, de alguma maneira, se revê na outra:
    "Compreendi que fora até lá cheia de soberba e dei-me conta de que - de boa fé, é certo, com afeto - fizera aquela viagem toda sobretudo para lhe mostrar aquilo que ela perdera e que eu ganhara. Mas ela apercebera-se disso desde o instante em que eu lhe aparecera à frente, e agora, arriscando-se a ter atritos com os colegas de trabalho e a ser penalizada, estava a reagir, explicando-me de facto que eu não ganhara nada, que no mundo não havia coisa nenhuma para ganhar, que a sua vida era tão cheia de aventuras variadas e insensatas como a minha, e que o tempo simplesmente passava sem fazer qualquer sentido, e que era bom vermo-nos só de vez em quando para ouvirmos o som louco do cérebro de uma repercutir-se dentro do som louco do cérebro da outra."(pg. 368).
    
    Confesso que me sinto dividida, porque não consigo parar de ler mas, ao acabar o o segundo volume, sinto, como quando acabei o primeiro, que ambos se esgotam no destino destas jovens e no circulo reduzido das personagens que as acompanham, em particular os residentes no bairro napolitano onde nasceram, e nas questiúnculas entre eles. Por outro lado é quase como se estivesse a ver um filme neo-realista italiano. Lemos e imaginamos as personagem, os locais, as roupas, os sentimentos até. Há uma densidade nas pessoas, na descrição do quotidiano das suas vidas e das suas expetativas, que permite que o leitor se sinta envolvido ou mesmo presente.
    
    Mais uma vez, acabei de ler este livro e comecei imediatamente a ler o terceiro.

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