Dedico-lhe o meu silêncio, Mario Vargas Llosa (Quetzal)
Talvez todos os escritores sejam irregulares na escrita ou talvez sejam os leitores que oscilam na apreciação da sua obra, gostando de alguns livros e depreciando outros sem que haja uma verdadeira razão para tal. É o que sinto com a leitura de Mario Vargas Llosa: alguns livros, como A Festa do Chibo ou O Sonho do Celta ou ainda A Guerra do Fim do Mundo , são extraordinários, outros dececionaram-me, apesar de reconhecer em todos a qualidade da escrita. Dedico-lhe o Meu Silêncio fica a meio caminho entre uns e outros. Toño Azpilcueta, o protagonista, acredita que é o melhor conhecedor e escritor de música e das danças populares peruanas. Um dia recebe um convite para ir ouvir tocar Lalo Molfino, apresentado como sendo o melhor guitarrista do Peru e talvez do mundo. E de facto, ouvi-lo tocar foi uma experiência única: «Tinha a sensação de que aquela música o trespassava, entrava no seu corpo e corria pelas suas veias juntamente com o seu sangue.»...