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Viajar na Maionese, João Pedro George (Edições 70)

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      Gosto de ler crónicas, com o ritmo próprio de cada uma e o capricho dos temas, desde as crónicas diárias do Miguel Esteves Cardoso, às crónicas quinzenais ou mensais, publicadas em revistas, do António Lobo Antunes (que desdenhava dos seus leitores), do Mia Couto ou do Agualusa. Gosto também de crónicas radiofónicas e fui uma ouvinte atenta dos Sinais, de Fernando Alves. Deliciei-me há uns tempos a ler as crónicas de Luiz Pacheco, juntas em Textos de Guerrilha , e de Maria Judite Carvalho, reunidas em Este tempo .     Foi por isso uma boa surpresa descobrir este Autor – dir-se-á croniqueiro? – e a enorme variedade dos seus temas, que vão do calão, que considera o santuário das palavras javardas, à gordofobia, à importância dos parêntesis, à sociologia do cabelo e da barba, à pandemia ou à presença do bidé na literatura portuguesa (antecedida de outra crónica com o título Glória ao bidé). Enquanto lia as crónicas sobre o bidé descubro que deixou...