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Liberdade, Jonathan Franzen (D. Quixote)

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    Uma crónica de Miguel Esteves Cardoso publicada recentemente (5.12.2011) no jornal Público tinha o seguinte título: "A putice livresca" e tratava da forma como saltamos despudoradamente de um livro para outro ou vamos lendo, em simultâneo, vários livros. Senti-me retratada na crónica, só que desta feita, sem culpa do livro traído e rapidamente abandonado.     Há alguns dias atrás, encontrei o livro Liberdade pousado na mesa da sala de estar da casa do meu irmão. Um marcador ainda nas primeiras páginas revelava um leitor inicial ou pouco interessado. Comecei a folheá-lo e o meu irmão,generosamente, disse que mo emprestava se o lesse rapidamente. O que fiz.     Deixei de lado o livro que estava a ler e comecei a ler Liberdade com o mesmo prazer e intensidade com que tinha lido Correcções .    Apenas o tempo dirá se é o romance do ano e do século ( The Guardian ) ou se merece estar numa prateleira ao lado de clássicos c...

Correcções, Jonathan Franzen (D. Quixote)

Correcções agarra-nos logo ao princípio e leva-nos numa vertigem ao longo das suas mais de 500 páginas até ao fim. Dizer que é um romance sobre a família americana da última década do século XX é demasiado redutor. É um livro sobre pessoas, sobre família, casamento, crescimento, envelhecimento e como todos lidamos com as diferentes fases da vida. O livro centra-se quase exclusivamente na família Lambert: o pai, Alfred, reformado e a sofrer de Parkinson e de demência, Enid, sua mulher, doméstica ( Não importava que o trabalho dele o satisfizesse tanto que nem precisava do amor dela, ao passo que a lida dela a enfadava tanto que precisava a dobrar do amor dele. Em qualquer contabilidade racional, o trabalho dele anulava o dela ), e os três filhos do casal, Gary, Chip e Denise. A razão do nome só nos é revelada no final do livro, quando Enid, liberta finalmente do peso diário da vivência com Alfred, internado num lar, o corrige sistematicamente durante as suas visitas ( sentira-se errad...