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Hiroshima mon amour, Marguerite Duras (Folio)

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    Em agosto de 1945 os EUA lançaram uma bomba atómica em Hiroshima e poucos dias depois em Nagasaki. Calcula-se que morreram entre 150 a 240 mil pessoas, metade das quais logo nos primeiros dias. Nos  meses seguintes, as pessoas morreram queimadas ou devido à radiação.      Em 1959, Alain Resnais dirigiu o filme Hiroshima mon amour , com guião de Marguerite Duras, numa produção franco-japonesa. Li o livro e vi o filme há muitos anos. Reli-o agora antes de ir ver a interpretação de Fanny Ardant de Riva (elle), a personagem feminina de Hiroshima mon amour . Sozinha no palco, escuro, sóbrio - uma cadeira apenas - em diálogo com uma personagem masculina, de que se ouve somente a voz..     É surpreendente descobrir o que a memória guarda e perceber no início de algumas frases que as sabíamos de cor - Tu n'as rien vu à Hiroshima. Rien.     A historia decorre em 1957. Uma mulher francesa vai a Hiroshima, por uns dias, participar...

Olhos azuis, cabelo preto; Marguerite Duras (Público - Coleção Mil Folhas)

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    A minha estreia com Marguerite Duras foi uma experiência que me deixou dividida. O pequeno romance é diferente, tanto em conteúdo como em formato; no entanto, está escrito de uma maneira tão bonita que, quando o terminei, me apercebi que mais de um terço das páginas tinha o canto dobrado (sinal que havia pelo menos uma frase que eu queria "roubar" daquela página) - e o livro não chega às cem páginas.     A história passa-se entre um homem e uma mulher; a cena desenrola-se essencialmente num quarto. É-nos passada a ideia de que devemos assistir ao desenrolar do enredo como espetadores na plateia de um teatro:       Far-se-ia noite na sala, a peça começaria.    A descrição do cenário, do perfume sexual, o dos móveis, do acaju escuro, deveria ser lida pelos atores no mesmo tom que usariam para contar a história. Mesmo se, ao acaso dos teatros diferentes onde a peça fosse representada, os elementos desse cená...