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Os Memoráveis, Lídia Jorge (D. Quixote)

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    Os Memoráveis traz na primeira página um poema de Alexandre O'Neill e depois uma citação extraordinária saída dos Murais de Lisboa: « Desculpem não nos encontrarmos nestas ruas. Só nasceremos amanhã. »      E não poderia ser mais adequada à narrativa, porque, para além da protagonista, Ana Maria Machado, ter nascido depois do 25 de abril, penso que Lídia Jorge escreveu Os Memoráveis a pensar nas gerações mais jovens que também não o viveram. Quando o livro se inicia, em novembro de 2003, Ana Maria está numa receção em Maryland, em casa do antigo embaixador em Portugal (Frank Carlucci?) quando é desafiada a preparar uma reportagem sobre o 25 de abril, para um programa chamado A História em Vigília ou A História Acordada (« Ela deveria ir lá, quanto antes, recolher o resto da metralha de flores que ainda existe entalada entre as pedras da calçada de Lisboa », pg. 14). Esse programa incluiria reportagens noutras capitais, como Budapeste, Praga, Berlim e Bucar...