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De que falamos quando falamos de amor, Raymond Carver (Editorial Teorema)

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    Já tinha lido "De que falamos quando falamos de amor" há muitos anos. Recentemente uma amiga disse-me que tinha perdido este livro e queria muito recuperar justamente esta edição, o que foi possível e de forma muito acessível na Déjà lu.      Devido ao confinamento, não pude entregar-lhe o livro e aproveitei para relê-lo. À medida que o lia apercebia-me de semelhanças da escrita de Carver com a escrita de Flannery O'Connor, e ainda que os contos de ambos acabam no momento certo. Aquelas personagens, aquelas histórias terminam ali. Nos contos de outros autores sinto muitas vezes que poderiam continuar, que o fim é uma escolha arbitrária do autor. Ao contrário, os contos de Carver e de Flannery acabam quando têm de acabar, quando seria impossível continuar. Há um enorme desespero na maioria dos contos, são quase as palavras das imagens de Hooper. Imaginamos gente solitária, desesperada, pobre. Com medo. Aliás este sentimento aparece em quase todos os...