sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pantaleão e as Visitadoras, Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

O ecletismo dos temas de Mario Vargas Llosa é sempre acompanhado de uma escrita de grande qualidade. Este livro, Pantaleão e as Visitadoras, conta a história, descrita como verdadeira, de um dedicado oficial do exército que é chamado a desempenhar uma função original: criar um corpo de visitadoras (prostitutas) que se desloque aos vários estabelecimentos militares dispersos pelo país, evitando desta forma os abusos e as violações que se vêm registando um pouco por toda a parte. Pantaleão dedica-se a esta função com todo o empenho e dedicação (Se ao menos tivesse organizado a coisa de uma maneira medíocre, defeituosa. Mas esse idiota transformou o Serviço de Visitadoras no organismo mais eficiente das Forças Armadas. Não há volta a dar-lhe Panta (...) És o Einstein da trancada.)
A dedicação que vota ao serviço leva a mulher a abandoná-lo com a filha praticamente acabada de nascer. Fica a viver apenas com a mãe, mantendo uma relação epistolar com a mulher. É então que se apaixona pela Brasileira, a Visitadora mais bonita, concedendo-lhe privilégios e uma situação ímpar relativamente às demais.
Ao mesmo tempo que se dedica a criar o serviço e a aumentar a sua eficácia, uma seita religiosa vai-se infiltrando pelo país, crucificando de início pequenos animais e depois pessoas.
Inicialmente, as Visitadoras são postas ao serviço exclusivo do exército, mas depois passam a abranger os restantes ramos das forças armadas. Começam então a aparecer pedidos para os civis poderem também beneficiar do serviço das Visitadoras.
É num ataque ao barco que transportava as Visitadoras que corre mal, que os assaltantes decidem fazer-se passar por elementos da seita e crucificam a Brasileira morta pelos soldados que haviam acorrido a libertar o barco.
No enterro da brasileira o Pantaleão assume a sua condição de militar e o escândalo daí resultante leva ao encerramento do serviço, à sua mudança e ao reencontro com a mulher e a filha.
As características pessoais do protagonista, aliadas à disciplina e às regras de administração militar geram situações fantásticas, quase rocambolescas . "Há incompatibilidade entre visitadora e puta, passe a expressão. Vocês são funcionárias civis do Exército e não traficantes do sexo".

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