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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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sábado, 31 de dezembro de 2011

Se isto é um Homem, Primo Levi (Colecção Mil Folhas, Público)

    Já li muitos livros sobre a Segunda Guerra Mundial e a vida nos campos de concentração, mas este livro é totalmente diferente. Primo Levi foi capturado pela milícia fascista em 1943 e levado para Auschwitz. Como ele próprio reconhece, teve a sorte de estar num campo de concentração quando a mão-de-obra já escasseava. O livro foi escrito logo a seguir à libertação e é um relato totalmente desprovido de emoção.
    O próprio autor reconhece que o livro se destina sobretudo a conhecer alguns aspectos da alma humana, pelo que para além da descrição da vida no campo, em todos os seus pequenos pormenores, a narração centra-se essencialmente nas diferentes estratégias de sobrevivência.Daí o título "Se isto é um Homem". A humanidade é apenas recuperada quando já depois da fuga dos alemães, o autor permanece num quarto de enfermaria com outros doentes gerando-se então um sentimento de partilha e solidariedade entre os ocupantes do quarto.
    "Ao cair do Sol, toca a sirene do Feierabend, do fim do trabalho; e, estando todos saciados pelo menos durante umas horas, não surgem discussões, sentimo-nos bons, o Kapo não é levado a bater-nos, e estamos em condições de pensar nas nossas mães e nas nossas esposas, o que habitualmente não acontece. Durante umas horas, podemos ser infelizes à maneira dos homens livres." (...) " a dor de recordar, o antigo e feroz sofrimento de me sentir homem, que me assalta como um cão no instante em que a consciência sai da escuridão".

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