domingo, 1 de dezembro de 2013

Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa (Dom Quixote)

   Barroco tropical, o nome do livro, é o título de uma canção sonhada pelos dois protagonistas/narradores, Kianda e Bartolomeu.O espaço narrativo de cada um, dentro de cada capítulo, é identificado no início, pelo símbolo masculino ( de Marte) e pelo símbolo feminino (de Vénus) o que nos permite ir conhecendo a história através de duas perspetivas distintas.
    Dizer que é uma história de amor, tendo como pano de fundo Angola num futuro não muito distante, é redutor. Há um mosaico de personagens que acompanham, convivem com os dois protagonistas principais e que constituem a paisagem da história e lhe conferem densidade. São apresentadas no capítulo 3, depois da apresentação no capítulo anterior das personagens principais. Há ainda o quase diálogo com o leitor, composto por pequenas explicações ou divagações. 
   E depois há um olhar desiludido pelas várias geografias (Hoje os europeus têm muita saúde, mas sentem-se mortos. São mortos muitissimo saudáveis. Nós, pelo contrário, padecemos dos mais diversos males, e morremos muito, morremos constantemente, mas vamo-nos embora com a barriga cheia. Saber viver é saber morrer.).
    Cada capítulo, cada história está magistralmente escrita, descrita,  mas é a história de amor entre os dois protagonistas, ambos profundamente doridos e à beira do abismo que nos toca (O amor é um cão velho e tinhoso, porém obstinado, que nunca desiste. Abandonamo-lo no mato, para morrer de fome e de sede, para morrer de frio, porque queremos que morra, e dias depois ele está de regresso a casa, a abanar a cauda. Enxotamo-lo à pedrada, mas volta sempre.)
    Apesar da história de amor, das personagens que povoam o livro e da escrita, falta uma ligação, como se estivéssemos perante histórias distintas, memórias, contos que se cruzam apenas por acaso.

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