domingo, 11 de setembro de 2016

Estrangeiras, José Luís Peixoto (Rosa de Porcelana)

    Decorreu, este fim de semana, a Festa do Livro na Amadora. O programa tinha vários pontos de interesse mas acabei por ir apenas assistir a uma conversa entre José Luís Peixoto e Filinto Elísio, cujo ponto de partida era a peça de Peixoto - "Estrangeiras". 
    Antes deste livro, que consiste praticamente no guião da peça, não tinha lido nada do autor, mas prometi-lhe, no momento em que ele o autografava, que leria o seu último - Galveias.
    A conversa foi muito interessante, tanto que foi inevitável comprar o livro o fim da sessão. Como é um livrinho pequeno e a fila para autógrafos era enorme, acabei por lê-lo praticamente todo mesmo ali, enquanto aguardava a minha vez. 
    A história junta três mulheres - uma portuguesa, uma brasileira e uma cabo-verdiana - numa sala do serviço de fronteiras num aeroporto americano, enquanto aguardam autorização para entrarem no país.
    Se as une a lusofonia, separa-as de forma muito marcada a noção de superioridade que cada uma tem das suas origens em relação às das outras duas, bem como os preconceitos associados às suas culturas,
    Essas diferenças vão-se evidenciado ao longo da peça, culminando num momento de cariz altamente provocador que, ao mexer nos temas sensíveis, que tantas vezes se evitam, acaba por exercer um efeito catártico e unir as três mulheres.

    Estava pensando que a gente veio de lugares diferentes, cada de seu lugar, mas chegámos aqui (...) ao mesmo lugar, à mesma situação. Estamos na mesma situação. Somos iguais. Somos a mesma coisa.

    O livro está escrito, como já mencionei, sob a forma de peça de teatro, o que poderá dissuadir da leitura algumas pessoas; mas eu não vejo isso como uma qualquer limitação. Lê-se muito bem, tratando, de forma relativamente cómica, um tema bastante relevante.

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