Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


domingo, 13 de novembro de 2016

Outlander - Nas Asas do Tempo, Diana Gabaldon (Casa das Letras)

    Depois de umas semanas numa das minhas "crises de livros" - aquelas alturas em que começo um novo livro a cada dois dias porque não há nenhum que me agarre - uma amiga minha emprestou-me este tomo de quase 800 páginas. Já tinha ficado curiosa com a série televisiva e, ao saber que havia um livro de base - mais!, que havia uma série de, pelo menos, sete livros - fiquei bastante entusiasmada com a possibilidade de voltar a mergulhar em mundos alternativos durante um período alargado de tempo. E, sim, o livro agarrou-me.
   Trata-se da história de Claire Beauchamp, criada por um tio historiador, após a morte dos pais, e casada, mais tarde, com o também historiador Frank Randall. Devido à Segunda Guerra Mundial, passam a maior parte do seu casamento separados. Com o cessar-fogo, reencontram-se e decidem fazer uma segunda Lua de Mel onde haviam feito a primeira: na Escócia. E é num dos passeios pelas Terras Altas que Claire é atraída para uma pedra fendida num monumento de pedras da antiguidade e se vê transportada para o ano de 1743 e refém de um dos clãs ainda existentes na época - o Clã MacKenzie.
    Tendo formação como enfermeira, cargo que exerceu durante a Guerra, Claire cedo mostra as suas capacidades, ao recolocar o ombro de Jamie, um jovem escocês procurado pelo exército inglês e, poucas horas mais tarde, tratar-lhe também de um ferimento de bala. É, então, acolhida como curandeira na corte de Colum MacKenzie, onde é alvo de suspeita como inglesa de proveniência incerta. Claire vê-se encurralada, no espaço e no tempo, exercendo as suas funções e esforçando-se por se adaptar às normas sociais do século XVIII, enquanto procura formas de regressar ao templo de pedras e ao seu próprio tempo.

    Acho que vens de um local onde tudo é mais fácil. De onde vens, não é uma questão de vida ou morte desobedecer a ordens ou tomar decisões por conta própria. (...) Sei que jamais me colocarias em perigo ou a outra pessoa de propósito. Mas podes facilmente fazê-lo sem intenção, como hoje, porque não acreditas em mim quando te digo que algumas coisas são perigosas. Estás habituada a pensar por conta própria e eu sei (...) que não estás habituada a que um homem te diga o que fazer, mas tens de aprender a agir assim, pelo bem de todos nós.

    Dado o tamanho do livro, é fácil compreender que este resumo é mesmo muito redutor - a trama é bem mais complexa, com alguns momentos interessantes, cómicos e sensuais. No entanto, talvez porque assumi, a priori, que a história se desenrolaria em determinados moldes, confesso ter ficado desapontada. Não existem grandes surpresas, há muitos momentos em que nada acontece, para depois acontecer tudo em catadupa, e de forma um tanto atabalhoada, que por vezes é confusa. Em meu entender, a trama deveria envolver bastante mais, para não se tornar cansativa. Confesso que nas últimas 100 páginas já estava cansada e a desejar chegar rapidamente ao fim.
   De mencionar que as breves descrições da Escócia e das suas histórias foram, para mim, o ponto alto - mas deixaram-me a desejar mais.
   E porque geralmente critico as traduções, tenho de mencionar que esta estava muito boa, sendo que os problemas pontuais eram, na sua maioria, de edição, e nada de muito gravoso.

Sem comentários:

Enviar um comentário