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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho, por Alexandre Gusmão (22/05/2018)
#4 Leio, logo… exploro, por Lucinda Afreixo (05/06/2018)
#5 Leio, logo... preservo, por Manuela Pires (19/06/2018)
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Queremos que participe nesta rubrica! O que é, para si, ler? Qual é a sua visão do mundo literário, do lado do leitor? Entre em contacto connosco, por mensagem privada na página Ponto&Vírgula e partilhe a sua opinião.





quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Livraria Galileu, Cascais

    O pretexto foi comer um gelado Santini, em Cascais. A abertura de gelatarias Santini em Lisboa e em Carcavelos levou  a que praticamente deixássemos de ir a Cascais. Hoje o Alexandre propôs que fôssemos a Cascais comer um gelado Santini e passear. Depois de descobrirmos que a gelataria Santini a que habitualmente íamos - na Av. Valbom - estava fechada, descobrimos que havia uma segunda gelataria, a que fomos, mas antes passámos, como era costume, pela Livraria Galileu. Esta Livraria comemorou este mês 45 anos. Abriu em 1972 e como refere na sua página Hoje confrontada com um mercado dominado por Golias sediados nas grandes superfícies, a Galileu continua a perseguir o sonho que lhe deu vida: uma livraria - generalista embora - orientada para aquele nicho de mercado que prefere a qualidade e a raridade à espuma passageira do best seller.

    Sempre que passo por lá descubro qualquer livro ou uma história sobre livros. Foi o caso de hoje
   Na montra estava um cartaz sobre O Barão que contava a história do filme feito tendo por base o livro homónimo de Branquinho da Fonseca. Dizia então que em 1943, a produtora americana Valerie Lewton chegou a Portugal e casou-se com um actor português que lhe deu a conhecer o conto "O Barão". A produtora pensou que daria a história perfeita para um filme de terror, começando, em segredo, as filmagens numa fábrica do Barreiro. A PIDE soube da existência do filme e mandou destruir os negativos. A equipa técnica foi repatriada e os actores portugueses deportados para o Tarrafal, onde morreram torturados.
    Em 2005, foram descobertas duas bobinas e o guião do filme nos arquivos do cineclube do Barreiro e através delas o realizador Edgar Pêra decidiu fazer o "remake" do filme original.

    Nunca tinha ouvido falar deste episódio, que suscita, naturalmente, imensa curiosidade. Comprei o livro - uma edição comemorativa do filme de Edgar Pêra - e irei tentar ver o filme depois de o ler e averiguar da veracidade daquela história. Ou será que não vale a pena e é melhor deixar que esta história que carrega - verdadeira ou não - adense ainda mais a história e a personagem do Barão?

6 comentários:

  1. Ana, li o teu relato sobre a ida à livraria Galileu e fiquei terrivelmente impressionada com a história do filme e a deportação e subsequente morte dos atores. Esse episódio é que daria um guião de filme. O Barão é um livro que sai completamente do habitual na literatura portuguesa, o David Mourão-Ferreira, meu saudoso professor na faculdade gostava imenso do livro, que fazia parte das recomendações de leitura que dava aos estudantes. Li-o há imenso tempo e lembro-me apenas vagamente do enredo, mas bem da atmosfera, pesada e sufocante. Um guião de filme poderia misturar ambas as histórias, espero que o realizador tenha ido por aí, é uma autêntica pepita de ouro. Já dizia a Agatha Christie que a realidade supera sempre a ficção…
    Lucinda Afreixo

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  2. Parte II da resposta a esta publicação sobre a Livraria Galileu: pesquisei no google a Valerie Lewton, a suposta produtora que se casou com um ator português cujo nome não é indicado, o que já de si dá que pensar, sobretudo que os anos 40 foram a época áurea do cinema português e um casamento de um ator com uma produtora americana nunca teria passado despercebido. Há uma personagem de um filme de terror com esse nome e, coisa interessante, há também um produtor e cineasta russo- americano que usa o pseudónimo Val Lewton. Na sequência da nossa conversa, Ana, quero dizer-te que tens muito provavelmente razão e esta história dos atores deportados para o Tarrafal por causa de um filme feito às escondidas e que a PIDE descobre será aquilo que os franceses designam como um "canular", ou seja um embuste e neste caso com piscadelas de olho pelo caminho aos verdadeiros cinéfilos. N'empêche, continuo a achar que daria um excelente guião, entremeando ambas as histórias, a do o embuste e a d"O Barão", tipo guião do filme a Amante do Tenente Francês...
    Lucinda Afreixo

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  3. E já agora as ligações para Valerie/Val Lewton
    http://final-destination-movie.wikia.com/wiki/Valerie_Lewton
    https://en.wikipedia.org/wiki/Val_Lewton
    Lucinda Afreixo

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  4. Posso assegurar, com profundo conhecimento de causa, que tudo o que ali se relata é pura fantasia. Nada daquilo jamais aconteceu
    Luís Oliveira

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    Respostas
    1. Non sarà vero però è ben trovato😉. Ótima publicidade, que nos pôs para aqui a refletir e a pesquisar e nos deixou com vontade de ler - ou reler - o livro e de ver o filme.
      Lucinda Afreixo

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  5. Apesar de ter lido o cartaz que estava na vitrina e de ter acreditado na altura, depois de ter refletido - e ter escrito o post inicial - tive dúvidas, até porque é que este episódio era desconhecido. Nunca ouvira falar desta questão e de facto parece estar agora cabalmente esclarecida. Faltava apenas verificar os presos e mortos no Tarrafal e de facto não constam atores nem esta situação é mencionada nos vários artigos publicados sobre este campo da morte (V.entre outros, https://www.publico.pt/2004/01/25/jornal/tarrafal-a-morte-lenta-como-condenacao-politica-183356).

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