Tamem digo, uma história de migrações, Jorge Pinto, ilustrações de Júlia da Costa


     Mais um livro que me foi emprestado e que me surpreendeu. Uma homenagem à avó, que emigrou para França, ainda nova,  onde viveu em condições similares às que vemos agora em muitos bairros onde vivem os nossos imigrantes, e que quando regressou à sua aldeia natal, no norte, abriu um café/restaurante. 
    Ler este livro é quase como falar com o autor, o neto da avó Carmo. Começa por explicar como depois de várias tentativas frustradas, foi abandonando projetos e ideias e quase desistiu até descobrir os trabalhos de Lamia Ziadé (que apenas conheço através de algumas imagens e recensões na net). Decidiu então juntar imagens ao texto e "uns toques de história e política".
    Pegamos em Tamem digo e só o pousamos quando acabamos de o ler.  Divertimo-nos e comovemo-nos ao lê-lo enquanto fazemos uma viagem no tempo, e encontramos pequenas coisas que fizeram parte do quotidiano daquela época, desde a decoração do café - e sobretudo os mosaicos do chão -, aos chocolates e refrigerantes.
    Mas o extraordinário do livro é de facto a avó Júlia. Como podemos ler na contracapa, a avó Carmo onde esteve "foi sempre uma entre muitos, e é por isso que Jorge Pinto quer falar dela, porque a História está cheia de heróis, falta-nos falar da gente comum."
    Nenhuma das minhas avós se parecia com a avó Júlia, mas a ler este livro recordei-me da vontade que tive de escrever a história das duas. Tão distintas uma da outra, mas cada uma, à sua maneira, me marcaram e me deixaram saudades.
    Uma palavra final para o trabalho da Júlia Costa: apesar das descrições, foram as ilustrações dela que me permitiram a viagem no tempo. 

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