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Notas sobre o luto, Chimamanda Ngozi Adichie (D. Quixote)

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    Quando comecei a escrever este blogue, mal acabava de ler um livro sentava-me a escrever sobre ele. Achava fundamental transmitir as sensações e impressões que tinham resultado da leitura, o que só poderia fazer se as escrevesse imediatamente. Agora espero sempre alguns dias antes de me sentar a escrever, como se tivesse necessidade de digerir o que li. Nalguns casos releio partes do livro como se precisasse de amadurecer ideias.      Há alguns dias que acabei de ler este livro. E já reli partes.     Gosto muito dos livros da Chimamanda (dispenso os apelidos por sentir que a conheço muito bem). Dela li A Cor do Hibisco , Todos devemos ser feministas , A coisa à volta do teu pescoço e Americanah . Recordo-me que foi a minha mãe quem primeiro me falou dela e me emprestou este último livro que foi o primeiro que li.     Não resisti por isso a comprar este Notas sobre o luto, sabendo de antemão que o luto de que falava era o do pai, que morr...

A Persuasão Feminina, Meg Wolitzer (Teorema)

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    Decidi-me a comprar e a ler este livro porque me foi duplamente recomendado, pela Chimamanda Ngozi Adichie, escritora que muito aprecio (e de quem já tenho saudades), e que, de acordo com a capa, considerou A Persuasão Feminina « Profundo e Autêntico. Um livro maravilhoso » e pela Sofia, que, neste blogue, fez a recensão de um outro livro de Meg Wolitzer, Os Interessantes , de que gostou muito.     Não gosto de livros escritos para mulheres, apesar de gostar de livros protagonizados por mulheres e procurar - sobretudo ultimamente - ler mais livros escritos por mulheres. Mas não gosto de ler um livro a pensar que foi escrito para um público feminino, como por exemplo, A Cozinheira de Castamar , de Fernando J. Múñez, que diz que o escreveu a pedido da mãe: « Filho, escreve algo para mim.»  E este livro é obviamente escrito para um público feminino.     A Persuasão Feminina  talvez interesse a jovens estudantes universitárias ou ...

Todos devemos ser feministas, Chimamanda Ngozi Adichie (Leya - Dom Quixote)

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    Há uns tempos, a conversar com um amigo - já não me recordo do tema da conversa - ele diz-me algo como "Às vezes pareces mesmo feminista. Eu sei que não és, calma! Mas pronto, é como falas do assunto." Surpreendida respondi-lhe "Como não sou? Claro que sou feminista!" E a minha vontade era mesmo ter dito: "E nos tempos que correm não compreendo como alguém pode não o ser.".     Este meu amigo, com quem gosto bastante de conversar, porque é uma pessoa informada e aberta ao diálogo, tinha, infelizmente, a ideia errada - e aparentemente recorrente - do que é o feminismo. Não, não é um monstro hediondo que quer subjugar os homens às vontades e caprichos das mulheres. É tão-só a igualdade de género.     O assunto é abordado de forma muito simples neste livro, que a minha mãe tentou que o meu irmão - também ele, incompreensivelmente, a meu ver, ainda com a ideia errada do que é o feminismo - lesse. O livro resultou da adaptação de uma in...

A coisa à volta do teu pescoço, Chimamanda Ngozi Adichie (D. Quixote)

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         Os livros da Chimamanda são um bilhete seguro para uma viagem pelas suas histórias, personagens e paisagens. Até agora nunca me desiludiram. Este livro é composto por 12 histórias, passadas na Nigéria, África do Sul e nos EUA. Mas mesmo aquelas cuja ação decorre fora da Nigéria são nigerianas, pelas vivências, personagens e pela própria história.      Cela Um, a primeira história, relata a prisão de um jovem, filho de professores universitários, que é preso na sequência de desacatos provocados por cultos. E se ficamos chocados com a descrição da prisão não ficamos menos pela forma como os pais antes tinham lidado com os antecedentes criminais do filho que, na nas condições terríveis da prisão parece amadurecer.      Imitação conta a história de uma mulher nigeriana, Nkem, residente com os dois filhos nos EUA. O marido vive e trabalha na Nigéria e visita-a apenas no Verão. Quando Nkem sabe que ...

A cor do hibisco, Chimamanda Ngozi Adichie (ASA)

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     A autora, Chimamanda Ngozi Adichie, tem esta rara qualidade de nos arrastar nas primeiras páginas dos seus livros para o universo que descreve. Começamos a ler "A cor do hibisco" e estamos na Nigéria, somos Kambili ou Jaja o seu irmão. Sentimos o calor insuportável, a chuva e os cheiros da terra.     Sofremos com Kambili e Jaja o horror de ter um pai que exige o máximo dos filhos e os agride quando não conseguem atingir as suas expectativas, bastando não ser o melhor aluno da classe para os torturar, cortando dedos ou queimando os pés. Agride a mulher violentamente e ela convive com a situação de forma ambígua porque tem medo mas, simultaneamente, sente-se agradecida por ele nunca a ter deixado ou decidido ter outras mulheres que lhe dêem mais filhos. Ao mesmo tempo, este pai é um herói que ajuda pessoas, financia os estudos de centenas de crianças, dá donativos a diversas instituições e é dono de um jornal que denuncia a situação que se viv...

Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie (D. Quixote)

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    Não sei como vou passar os próximos dias sem a companhia de Ifemelu, a protagonista de Americanah.     Americanah começa em Princeton, onde Ifemelu reside durante uns tempos e onde não há (havia?) um cabeleireiro em que uma negra possa entrançar o cabelo. Ifemelu tem uma bolsa de investigação na universidade de Princeton, é autora de um blogue polémico sobre questões de raça, como é identificado, e que tem imenso sucesso. Decide, no entanto, e para surpresa de todos, regressar ao seu país, Nigéria.     A conversa no cabeleireiro que é forçada a entabular, obriga-a a justificar a decisão de regresso e a inventar razões ( arranjei emprego lá ...) mas o principal motivo para o regresso é Obinze, o seu amor de juventude. Este é o cenário de partida, mas daí circulamos por várias cidades dos EUA, pela Nigéria e pelo Reino Unido, para onde Obinze emigrara. E em simultâneo viajamos no tempo.     À infância e adolescência...