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Memórias do Subterrâneo, Fiódor Dostoievski (Relógio d'Água)

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     Memórias do Subterrâneo está dividido em duas partes: O Subterrâneo e Por Causa da Neve Húmida. Na primeira parte, o autor apresenta-se e, na segunda, surgem as suas memórias sobre alguns acontecimentos. Uma nota do Autor, logo no início, explica-nos que tanto o autor das Memórias como as próprias Memórias são fictícias, contudo, considera que pessoas como ele devem existir na nossa sociedade, embora sejam caracteres de um passado recente. Confesso que tive alguma dificuldade no início. Alguma estranheza. A leitura da parte inicial lembrava-me nalguns aspetos O Estrangeiro , de Camus, ou A Metamorfose de Kafka e li depois que foi inspirador destas obras:    “ Agora, meus senhores, quero contar-vos, queiram ouvir ou não queiram, por que razão eu não consegui tornar-me nem sequer um inseto. Digo-vos solenemente que muitas vezes desejei tornar-me um inseto. Mas nem isso mereci .”     O autor começa por falar sobre si próprio, interroga...

Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski (Civilização Editora)

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    Confesso - antes de qualquer outra coisa que possa escrever - que estou com algum receio de fazer esta crítica.      Tinha decidido que seria este ano que me iniciaria nos clássicos russos. E "Crime e Castigo" é um daqueles clássicos. Russo também, sim. Mas essa parte até se dispensaria. É um clássico da literatura , daqueles que ouvimos falar toda a nossa vida. Eu, pelo menos, ouvi. Sem sequer saber muito bem do que tratava. Então, há umas semanas, fui jantar com dois amigos, ela do Cazaquistão, ele da Croácia, e, quando passámos para o tema dos livros - não me recordo já como nem porquê - ambos me olharam como se eu fosse um bicho estranho (' Como assim, nunca leste "Crime e Castigo"? Tens de ler!' ). Pareceu-me o momento certo. Assim que terminei o que estava a ler anteriormente (" The White Princess "), peguei no "Crime e Castigo", uma versão muito antigo que esse meu amigo me tinha emprestado e que acabei por trocar por est...