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Soldados de Salamina, Javier Cercas (Porto Editora)

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      Li recentemente O Louco de Deus no Fim do Mundo  e falaram-me deste outro livro do mesmo autor, editado em Espanha em 2001. O resumo da história está na contracapa pelo que não estragarei o prazer da leitura contando-a:     "No final da Guerra Civil Espanhola, um grupo de prisioneiros nacionalistas é executado perto da fronteira com França. Entre eles encontrava-se Rafael Sánchez Mazas, um dos fundadores e ideólogos da Falange, futuro ministro de Franco e poeta, que conseguiu escapar e refugiar-se no bosque. Até que um soldado republicano o descobre, aponta-lhe uma arma e, olhando-o nos olhos, poupa-lhe a vida. Sessenta anos mais tarde, um romancista em crise desenterra este episódio e propõe-se a investigar as circunstâncias daquele gesto de misericórdia."     Quando acabei de ler Soldados de Salamina, senti de alguma forma o mesmo que senti quando virei a última página de O Louco de Deus no Fim do Mundo: o Autor tem uma história extraordin...

O Louco de Deus no Fim do Mundo, Javier Cercas (Porto Editora)

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     Logo no início do livro ficamos a saber de que trata O Louco de Deus no Fim do Mundo:    "Sou ateu. Sou anticlerical. Sou um laicista militante, um racionalista obstinado, um ímpio inveterado. Mas aqui estou, viajando em direção à Mongólia com o velho vigário de Cristo na Terra, disposto a interrogá-lo acerca da ressurreição da carne e da vida eterna. Foi para isso que embarquei neste avião: para perguntar ao Papa Francisco se a minha mãe verá o meu pai depois da morte e para lhe levar a sua resposta. Eis um louco sem Deus perseguindo o louco de Deus até ao fim do mundo."     Identifiquei-me completamente com a descrição dele próprio: também sou ateia, anticlerical, sobretudo, uma laicista militante, uma racionalista obstinada, uma ímpia inveterada. Mas se tivesse oportunidade seguiria o louco de Deus até ao fim do mundo para lhe fazer uma pergunta idêntica. Afinal, apesar de na aparência ser uma pergunta simples, feita para tranquilizar a mãe, tr...

A velocidade da luz, Javier Cercas (Edições Asa)

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   Ao contrário de algumas pessoas que conheço que lêem mais do que um livro ao mesmo tempo, saltando de um para outro ao longo do dia ou dos dias, eu só consigo ler um livro de cada vez. Tenho de acabar o que estou a ler ou pelo menos decidir que interrompo a leitura porque começo a ler outro, e só quando  acabo este reinicio - ou não - a leitura do que abandonei.    É quase como se tivesse de manter uma relação de exclusividade com a história, com as personagens que habitam cada livro, impedindo-me de as abandonar a meio. Mas foi o que aconteceu com este livro, ou melhor com o que abandonei antes de o acabar, inadvertidamente, porque me esqueci dele. Comecei a ler este, A Velocidade da Luz , e não consegui parar.     Confesso que inicialmente estranhei a mancha gráfica, onde praticamente não existem parágrafos e são raros os diálogos. A acrescer a isto, o livro só tem quatro capítulos, pelo que as páginas se sucedem, compactas e densas, ...