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Ventos do Apocalipse, Paulina Chiziane (Caminho)

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    Li Ventos do Apocalipse numa edição recente que ostenta na capa a indicação que a Autora foi Prémio Camões 2021, mas a 1.ª edição é de 1993, um ano depois do fim da guerra civil de Moçambique, e é fruto dessa vivência terrível. Transmite bem o horror que representa a guerra, sobretudo a civil, na vida das pessoas.    Ventos do Apocalipse começa com um prólogo seguindo-se três pequenas histórias. Terríveis todas. «O marido cruel», «Mata que amanhã faremos outro» e «A ambição de Massupai». Histórias de fome, medo, morte, crueldade e ambição. Mas isto são histórias contadas à volta da fogueira, por um avô, a quem pedem histórias bonitas. Porque « O povo não tem biblioteca e nem escreve. A sua história, os seus segredos residem na massa cinzenta dos antigos, cada cabeça é um capítulo, um livro, uma enciclopédia, uma biblioteca.»    KARINGANA WA KARINGANA (expressão que não consta do glossário e que significa Era uma vez) é então que começa a história, ...

Prémio Camões 2021 atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane

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     Paulina Chiziane nasceu em Moçambique, em 1955. Atualmente vive e trabalha na Zambézia. Publicou o seu primeiro romance, Balada de Amor ao Vento, em 1990, que é também o primeiro romance de uma mulher moçambicana. Neste blogue já falámos de dois livros de Paulina Chiziane:      O Sétimo Juramento e, mais recentemente, Niketche .     Em ambos, a mulher moçambicana tem um papel central, mas, mais importante, são livros que questionam, que contam, que ficcionam, que sonham. Caminham, como ela diz....       Vale a pena vê-la e ouvi-la .   

Niketche, Paulina Chiziane (Caminho)

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     Niketche foi amor às primeiras palavras, às primeiras páginas. E como todos os livros pelos quais nos apaixonamos, dividi-me entre lê-lo avidamente ou mais lentamente, fazendo durar o prazer. Niketche, como define o glossário no final do livro, é uma dança de amor da Zambézia e Nampula. Mas antes de lá chegarmos, já sabemos pela leitura do livro que "é a dança do sol e da lua, dança do vento e da chuva, dança da criação. Uma dança que mexe, que aquece. Que imobiliza o corpo e faz a alma voar. (...) Quando a dança termina, podem ouvir-se entre os assistentes suspiros de quem desperta de um sonho bom."     Niketche, o livro, o romance, conta-nos uma história de poligamia, mas fala-nos sobretudo das mulheres de Moçambique, do sul, do centro e do norte, e como são física e culturalmente distintas. Mulheres casadas, solteiras, viúvas, novas e velhas. E não conseguimos deixar de nos espantar com a evolução da história que nos é contada, da transformação...

O Sétimo Juramento, Paulina Chiziane (Sociedade Editorial Ndjira)

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    Um mergulho no mundo obscuro da Magia Negra, numa África atual devastada por guerras, greves e muita corrupção, este livro é também a denúncia de uma realidade a que preferimos fechar os olhos.     David, antigo revolucionário que lutou pelos direitos dos trabalhadores, é agora diretor de uma empresa estatal da qual desvia fundos sem os quais não consegue, há mais de seis meses, pagar os salários aos operários.     «Não se trata de fraude, nem de roubo. Foi uma transferência de fundos, uma espécie de empréstimo para criar capital, cuja reposição será feita na devida hora. Um diretor que se preza deve ter capital próprio, uma representação compatível com o cargo.»     Na iminência de uma greve e de um golpe dos seus suburdinados imediatos, que pretendem denunciá-lo e levá-lo à demissão, David desespera e procura a solução dos seus problemas na magia negra, incentivado pelo seu amigo, também diretor fraudulento e...