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Narciso e Goldmund, Herman Hesse (D. Quixote)

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   Em vários momentos de Narciso e Goldmund, lembrei-me de Siddartha. Narciso e Goldmund foi publicado em 1930, 8 anos depois de Siddartha. Em ambos os romances, estão presentes a procura, o misticismo e a fé, mas sempre num registo dual, marcado logo pelas distintas opções de ficar e de partir. Ao contrário de Siddartha, em Narciso e Goldmund esta dualidade é assumida por cada um deles. O primeiro escolhe viver no mosteiro, uma vida mística dedicada ao espírito, enquanto Goldmund escolhe a errância, os caminhos sem destino, a procura do prazer.      «No fundo, toda a existência parecia basear-se na dicotomia, na oposição dos contrários: ou se era homem ou mulher, vagabundo ou pequeno-burguês, guiado pelo intelecto ou pelos sentidos - nunca e em lado algum o inspirar e o expirar, a masculinidade e a feminilidade, a liberdade e a ordem, o instinto e o espírito podiam ser experimentados em simultâneo; sempre se pagava um com a perda do outro e sempre o aspeto q...

Elogio da Velhice, Hermann Hesse (Difel)

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       Há livros que são para ler a partir de certa idade. Elogio da Velhice é um desses livros. Não adianta lê-lo quando somos jovens, porque não compreendemos nem sentimos o que Hermann Hesse escreve. Tinha-o comprado há vários anos e só agora, depois de o meu filho mais novo ter tentado ler e posto de lado, é que me decidi a lê-lo. E foi o momento certo.     Elogio da Velhice intercala pequenos textos, reflexões, parábolas, com poemas. Os textos estão quase todos datados, ao contrário dos poemas, embora não estejam publicados por ordem cronológica, o primeiro data de 1920 e o último de 1959, quando Hesse contava, respetivamente, 43 e 82 anos. Em todos eles há ideias – muito bem escritas – que nos reconciliam com a passagem do tempo, com o envelhecimento, com a memória e com a morte, nossa e dos outros, que nos antecederam. A ideia que com a idade nos tornamos (será?) um bocadinho mais espertos e tolerantes. Gostei sobretudo da ideia constante...