Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O Gatilho, Tim Butcher (Bertrand Editora)

  
   O livro O Gatilho tem o subtítulo No rasto do assassino que levou o mundo para a guerra. Em junho deste ano passaram exatamente 100 anos sobre o assassínio do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do império austro-húngaro, que, como é sabido, conduziu à primeira guerra mundial. Tive curiosidade em ler quer porque conheço muito pouco da primeira grande guerra, quer por saber que muitas das guerras posteriores no espaço europeu resultaram desta primeira guerra mundial e, consequentemente, do acontecimento que lhe deu origem.  
    O autor, repórter de guerra, acompanhou a guerra da Bósnia. Anos mais tarde regressa à Bósnia e Herzegovina para procurar o rasto e os motivos que levaram um jovem sérvio, Gavrilo Princip, a empunhar o revólver e a disparar contra o herdeiro do império. 
    A pesquisa e o seu relato são acompanhados da descrição da vida atual naquele novo país, bem como da recordação omnipresente  e constante da guerra. Reconhece, a propósito da guerra dos anos 90, que se tornou tão complexa, devido às alianças e conflitos entre as três etnias que as histórias nos jornais tornaram-se cada vez mais rebuscadas e cometeram-se erros, como não podia deixar de ser (p.130). 
    Se neste caso fala de erro, quanto à história de Princip fala em distorção: A partir do momento em que o Império Austro-Húngaro, face a provas evidentes do contrário, adulterou premeditadamente as motivações do Princip para justificar os seus ataques à Sérvia, a distorção foi introduzida na narrativa fundadora da Primeira Guerra Mundial (p. 314).

    Mas o que mais me impressionou foram as palavras ditas por Arnie, muçulmano bósnio, que foi tradutor do autor durante o período da guerra e o acompanhou na parte inicial desta viagem, quando diz que seria impossível voltar a viver na Bósnia e Herzegovina, por causa do bem e do mal viverem tão perto um do outro: a luz e as trevas, o amor e o ódio. (...) lá no fundo, sei que, quando se trata do que aconteceu aqui, a etnia pode ser tóxica, pode contar mais do que o facto de a nossa natureza ser amável e generosa.


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