quinta-feira, 30 de julho de 2015

O miúdo que pregava pregos numa tábua, Manuel Alegre (D. Quixote)



   Gosto do Manuel Alegre poeta. Acho que foi um dos grandes poetas da resistência. Muitas das letras das músicas que cantámos antes e depois do 25 de abril são dele. 
    Já tinha começado a ler um livro que não de poesia (Alma) e tinha-o largado porque me irritou a narração demasiado egocêntrica. A convicção da sua importância que lhe é transmitida pela família desde sempre (na altura lembro-me de pensar que a irmã o devia odiar). 
    Acabei agora de ler este livro O miúdo que pregava pregos numa tábua, e mais uma vez é ele, mas, desta feita, mais frágil. Menos convicto de si, porventura. Convoca para o livro os seus mortos, família e amigos, e a proximidade da morte, dos outros e a própria, talvez explique este discurso menos centrado em si próprio (embora ainda admita a possibilidade de a sua obra ser a continuação de Os Lusíadas, uma bravata que anunciara em jovem (…) E meteu mãos à obra. Mas ainda hoje não sabe se conseguiu.)
    De resto é um livro terno, cheio de recordações e de pessoas e muito bem escrito. Quase um poema em livro ou em música pois como lhe disse a mãe o poeta é que faz a música.

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