Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


domingo, 11 de setembro de 2016

O livro de San Michele, Axel Munthe (Livros do Brasil)

  
  Como tinha previsto durante as férias ir ao Mont-Saint-Michel, na Bretanha francesa, decidi ler este livro de que me recordo desde sempre nas estantes dos meus pais e de os ouvir falar dele com admiração. Sempre pensei que o livro teria algo a ver com a abadia que foi erigida no Mont-Saint-Michel ou com a sua história. 
   Não é a primeira vez que o título de um livro me engana. O caso mais engraçado que me recordo é o de um livro, também dos meus pais, que estava numa estante no corredor da casa deles, numa das prateleiras mais altas e cuja lombada ostentava o título "Parto sem dor". Noutra prateleira estava o livro de Ferreira de Castro "Emigrantes". Depois de ler este último e fascinada com o livro e com o tema decidi avançar para o livro"parto sem dor" convicta que se tratava da mensagem de despedida de um emigrante. Não era. Era um livro sobre o parto sem dor o que de imediato compreendi pelas imagens. Em minha defesa, recordo a belíssima canção de Sérgio Godinho com o mesmo título, mas este sobre emigrantes:

E agora eu vou-me embora/ e embora a dor/ não queira ir já embora/ agora eu vou-me embora/ e parto sem dor (...)

    O Livro de San Michele é um livro curioso, com cariz autobiográfico. Axel Munthe médico, de origem sueca exerceu medicina em Paris e em Roma, tendo sempre em vista regressar a Anacapri para construir a casa dos seus sonhos, o que faz, com a ajuda apenas de locais, e se o livro ostenta o nome do local onde construiu a sua casa, como diz no prefácio Não foi acerca de San Michele, nem dos seus preciosos fragmentos de mármore que animou centos de páginas, mas apenas com fragmentos de argila, extraídos da sua vida despedaçada.
   Ultrapassada a surpresa inicial, o livro prende-nos pela simplicidade e franqueza de algumas das histórias, desde a divertida história do diagnóstico quase obsessivo de colites - que nem médicos, nem doentes sabiam precisar do que se tratava -, até à história dos doentes com cólera num a altura em que Pasteur ainda investigava a doença para descobrir a vacina. 
    Mais curioso é verificar que no início do século XX havia grandes colónias de médicos estrangeiros que exerciam em cidades como Paris e Roma e como resolviam a questão das habilitações. Hilariante a história do médico que obrigado, como os restantes, a comprovar que tem as habilitações necessárias para o exercício da medicina, pede que não as divulguem porque muitos dos seus clientes procuram-no justamente porque consideram que é um charlatão e se soubessem que ele era médico podiam deixar de o procurar. 
    Muito interessante também é a forma como aborda a eutanásia, aparentemente como uma decisão médica sem qualquer outra interferência. 
    No que toca aos animais, o autor apresenta-se como um grande defensor dos animais, aliás trata vários animais para além de recolher alguns deles, dedicando por isso o livro à Rainha da Suécia, protectora dos animais maltratados e amiga de todos os cães.
    Uma última palavra para referir que O livro de San Michel é o número 1 dos Livros do Brasil que é para mim uma referência pois muitos dos meus livros preferidos foram publicados por esta editora.

Sem comentários:

Enviar um comentário