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Meu Abrigo, Minha Tempestade, Arundhati Roy (Bertrand)

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      Meu Abrigo, Minha Tempestade é um livro autobiográfico que a a morte da mãe leva Arundhati Roy a escrever sobre si, e a refletir sobre a forma como a relação com a mãe a estruturou. Sempre me surpreendeu o número de livros dedicados aos pais em contraponto com o menor número dos dedicados às mães  dos autores. Cheguei mesmo a elaborar listas de uns e de outros e a inventar justificações para esta diferença. A que me pareceu mais próxima da realidade é a que resulta do facto de as mães normalmente ficarem ao pé dos filhos e não serem conhecidas para além da estreita fronteira da família e conhecidos. A vida delas ser feita de rotinas e proximidade. A ausência de mistério das mães.     Este livro de Arundhati Roy de alguma forma valida a minha justificação, pese embora nunca ter vivido com o pai, é sobre a mãe, de quem se afastou, e que foi uma figura pública, que ela escreve. A mãe que abandonou o marido e ficou sozinha com os filhos, lutou pela r...

O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy (Edições ASA II)

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    Tudo neste livro é belo, desde a capa, à escrita, à história triste que nos traz. Antes de qualquer outra coisa, fui cativada pela escrita, tão diferente mas tão bonita, tão viva e rica nos seus detalhes, descrições e comparações. Depois, abandonei-me às personagens, cuja história fui tentando reconstruir à medida que o novelo de memórias era desfiado, misturando presente com passado, com histórias paralelas.     Não concordo com a sinopse da contracapa. Não entendo este romance como « a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no Sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. » Para mim, é a história dos « gémeos biovulares », Rahel e Estha, que voltam com a mãe, Ammu, para a sua terra natal, sim, após o divórcio desta, situação que os torna indesejados na casa da família. E é, acima de tudo, a história de como num quente verão em que a sua prima, Sophie Mol, vinda de Inglaterra, morre, e dos acontecimento...

O ministério da felicidade suprema, Arundhati Roy (Asa)

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     Não sei o que dizer sobre este livro. Comecei a lê-lo e fiquei imediatamente presa pela história, pelas personagens, pelos seus percursos. Cada vez que pegava nele, essa sensação renascia, mas muitas vezes acompanhada do sentimento de perda por algumas personagens que desapareciam, desconhecendo que iriam reaparecer mais à frente. E são quase todas personagens fascinantes, às quais ficamos amarrados.       Penso que senti este mesmo tipo de fascínio com alguns livros e personagens de Gabriel Garcia Marquez, mas não ousaria falar em realismo mágico neste caso, porque a realidade das pessoas aqui retratadas é na maioria dos casos dilacerante. Se houver magia é nas personagens, na forma como se relacionam, protegem e sobrevivem. Como disse a autora, este livro «é sobre aqueles que foram postos fora do sistema (...) excluídos. E que conseguiram juntar-se, como peças perdidas de um puzzle, num certo lugar de relativa felicidade. Há felicidade nos luga...