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O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham (Edição Livros do Brasil)

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     Durante as férias leio sempre menos do que desejo ou planeio fazer. Em parte por falta de tempo, mas também por maior dificuldade de concentração. Este ano não foi diferente. Andei a vaguear entre livros, cheguei mesmo a ler alguns em simultâneo, o que raramente faço, até que aterrei em segurança n' O Fio da Navalha. Como nos outros livros de W. Somerset Maugham que li ( Servidão Humana , O Véu Pintado ou Mrs. Craddock ) fico totalmente presa logo nas primeiras linhas. Como é possível largar uma livro que começa desta forma:     " Nunca senti maior apreensão ao começar um romance. E se digo romance é por não saber que outro nome lhe dê. Não tem grande enredo, não acaba com morte ou casamento. A morte põe termo a todas as coisas e é, portanto, fim lógico para uma história; mas também o casamento é solução muito correta e os blasés fazem mal em escarnecer daquilo que vulgarmente se diz que "acabou bem". (...)  Mas estou a deixar o meu leitor às esc...

Leituras de férias

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    Entre a Foz do Arelho, Oeiras e a Serra de Tomar, as férias passaram demasiado depressa. Tão depressa que pouco foi o tempo que consegui dedicar à leitura.     Comecei com As Três Mulheres de Antibes , do Somerset Maugham. Não li as badanas e não me apercebi que se tratava de uma colectânea de contos pelo que foi com imensa pena e alguma amargura que concluí o primeiro conto que dá o nome ao livro. Apetecia-me continuar na companhia daquelas três mulheres, obcecadas pelas dietas e pelo peso, próprio e das outras, e o apetite devorador com que soçobram, conjuntamente. à comida. Reconciliei-me entretanto com o autor  e o livro através da leitura de outros contos, sobretudo os que decorrem nas Guianas francesas. Quero ler este livro!     Depois li, quase sem conseguir p arar, O Quarto de Jack . , de Emma Don a ghue , finalista do Man Booker Prize e do Orange Prize, 2010. Comprado pela minha filha é um livro surpreendent...

Mrs. Craddock, Somerset Maugham (Livros do Brasil)

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    Passo com frequência numa pequena livraria (alfarrabista?) na Calçada do Combro. Sentado, perto da porta, está um velhote. Presumo que seja o dono. Percebe-se logo que gosta e conhece os livros. É o meu santo das causas perdidas: sempre que procuro um livro e não consigo encontrar, passo por lá. Embora, em regra, não o tenha, dá-me pistas onde procurar.     Na última vez que passei por lá, tinha uma pilha de livros de Somerset Maugham na mesinha ao pé da qual estava sentado. Não resisti e comecei a folheá-los. Perguntou-me logo se já tinha lido algum livro dele.     Fez-me olhar para os discretos desenhos que ilustram a capa (e a sobrecapa) dos livros desta coleção (e daquela época, embora não encontre qualquer referência ao ano desta edição).     Não resisti a Mrs. Craddock ,e ainda bem. Começa com um prefácio do próprio autor em que explica que o livro foi escrito no final do século XIX. Foi considerado muito ous...

Servidão humana, Somerset Maugham (ASA)

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    Subscrevo a frase de Gabriel Garcia Marquez, a propósito do autor, que aparece na contracapa: « Um dos meus escritores favoritos» .     As poucas mais de 700 páginas do livro parecem poucas quando concluímos a sua leitura. No livro seguimos a vida de Philip Carey (considerado alter ego do autor) que fica órfão ainda criança e vai viver com o tio vigário e a mulher. O afecto tímido da tia e o convívio com o tio, arrogante e egocêntrico, empurram-no para uma infância isolada, no meio de livros comprados ao desbarato pelo tio. Frequenta um colégio interno onde sofre com o isolamento e a sua deficiência (tinha um pé boto). Em consequência, embora fosse muito bom aluno, decide abandonar os estudos antes de se poder candidatar à universidade.  Começa por viajar para a Alemanha, para aprender alemão, depois vai estagiar numa firma de contabilidade que abandona, decide tornar-se pintor e viaja para Paris e, finalmente, decide abraçar a profissão do pa...

O Véu Pintado, Somerset Maugham

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    Como me disseram noutro dia, eu tenho prazer em ler um livro bem escrito. É o caso. O livro está extremamente bem escrito, a história é envolvente. Ultrapassa o livro, cuja frase de difusão é linda (« Por vezes, a maior viagem é a distância entre duas pessoas ») mas foge em muito ao cerne do romance. Para mim, é uma lição. Um modo de apreender que todos os nossos atos trazem consequências que não podemos adivinhar e que sempre nos poderão surpreender, e mostra como as vicissitudes da vida nos tornam naquilo que somos. É um livro apaixonante.     Começa com a frase:     « ...esse véu pintado a que os que vivem chamam Vida.»     Para mim, a passagem que se segue ilustra o título do livro:     « Estas cenas plenas de cor e harmonia, inesperada excelência e profunda estranheza, eram como um pano de arrás diante do qual, em formas misteriosas e sombrias, brincavam os fantasmas criados pela fantasia de Kitty. (....