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Neve, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

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    Demorei muito tempo a ler este romance, Neve, de Orhan Pamuk. É um livro lento, detalhado e tão compacto que nos obriga a ler devagar.         Ka, um poeta turco, a residir na Alemanha, vai a Istambul para o enterro da mãe e depois a Kars, cidade situada no extremo nordeste da Turquia, para cobrir as eleições e talvez escrever um artigo a propósito das raparigas sucidárias. Quanto a estas raparigas, a dada altura é dito a Ka:      "É verdade que a causa dos suicídios reside na extrema infelicidade das nossas raparigas, disso não há qualquer dúvida. (...) Mas se a infelicidade fosse uma verdadeira causa de suicídio, metade das mulheres da Turquia ter-se-iam suicidad o."    São várias as histórias e as razões para estas jovens se suicidarem, mas o que mais o horroriza é a tranquilidade com que são encarados os suicídios [“… a maneira   como as suicidas se inseriam tão espontaneamente na banal vida quotidiana, sem avi...

A mulher de cabelo ruivo, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

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    Alguns dias antes do dia da mãe descobri que iria ser editado entre nós mais um livro do Orhan Pamuk, A mulher de cabelo ruivo. Enviei a notícia aos meus filhos, sugerindo-lhes que mo oferecessem. Estraguei a surpresa que me preparavam, porque antes mesmo da sua publicação já o tinham encomendado, mas foi com o mesmo prazer que o recebi.     A história, ou pelo menos a parte inicial, está sumariamente contada na contracapa do livro: um jovem estudante, Cem, vai trabalhar como aprendiz de um escavador de poços antes de se candidatar à universidade. O pai, um militante de esquerda, que já tinha estado preso, deixara depois a mulher e o filho, que passavam então sérias dificuldades financeiras.     O jovem e o escavador de poços, o mestre Mahmut, criam uma ligação muito forte, até porque o jovem pouco se recorda do pai, e está numa fase da vida em que lhe sente particularmente a falta, e o mestre, por seu lado, porque não tem filhos. P...

Uma estranheza em mim, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

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    Apaixonei-me pela obra deste autor através da leitura do Museu da Inocência e, por isso, cada livro de Orhan Pamuk que começo a ler vem carregado de uma enorme expetativa, que o resumo deste, publicado na contracapa, ainda acentuou:     Mevlut viu-a apenas uma vez e foi o suficiente para se apaixonar. Após três anos de cartas enviadas em segredo, decidem fugir. A escuridão da noite auxilia a fuga mas a luz de um relâmpago revela um engano terrível que os marcará para sempre. Chegados a Istambul, Mevlut decide aceitar o seu destino, seguindo os passos do pai (...)     A história tem como centro este engano e as consequências que produz na vida das pessoas envolvidas, contudo, ao longo das mais de 600 páginas desta obra, grande parte é gasta a falar das alterações na cidade e na vida daqueles que a habitam, na modificação da paisagem urbana, da mudança dos bairros de casas construídas pelos que ali chegavam, vindos das aldeias, para prédios e arr...

O romancista ingénuo e o sentimental, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

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       Uma das minhas prendas de Natal, oferecida pelos meus filhos que sabem o quanto aprecio este autor. Uma primeira palavra para esta edição que, embora de 2012, tem uma sobre capa que oculta a capa original. Segundo a ficha técnica, a ilustração da capa original é de um quadro  After the ball  (óleo sobre tela), por  Casas i Carbo, Ramon  (1866-1932). O que terá levado a editora a cobrir esta capa com uma sobre capa, sem qualquer imagem, apenas com o título e o nome do autor em caracteres brancos significativamente maiores, escapa-me completamente. A original atrair-me-ia muito mais que esta sobre capa...Por isso mesmo optei por colocar aqui a capa original.     O livro condensa um conjunto de conferências que o autor deu na Universidade de Harvard, cujo título é baseado no ensaio de Schiller, a Poesia Ingénua e Sentimental. De acordo com o autor,  na esteira de Schiller, os poetas - escritores - ingénuos escrevem de for...

O Museu da inocência, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

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    Tolstoi inicia Anna Karenina dizendo que as famílias felizes não têm história .Os amores felizes também não. Desde pequenos que sabemos que a história que começa com Era uma vez acaba com  Casaram-se e foram felizes para sempre ! A felicidade não merece ser contada.     O Museu da inocência obedece a esta regra: Kemal, solteiro, de boas famílias turcas, estava praticamente noivo de uma jovem, também turca, que estudara em Paris. Pouco antes da festa do noivado entra numa loja onde reconhece uma prima afastada que não via há muitos anos. Arranja todos os pretextos possiveis para que ela se encontre com ele num apartamento que pertencia à sua mãe e iniciam nesse dia um romance, ficando Kemal dividido quanto ao noivado e casamento.     Termina por avançar com a festa do noivado, conseguindo que Fusun e os pais sejam convidados e compareçam. Depois da festa Fusun desaparece e Kemal arrasta-se numa existência melancólica que começa por afastar o...